
Uma mulher e a filha entram apressadas no café da estação, onde um homem absorto lê um jornal . Pai reencontra filho , diz na capa.
-Um café, diz a mulher.
Ele também é pai e também quer um café, com a diferença de não ver os filhos há anos, nem se lembra do calor de alguém junto dele.
.... Homens passam como barcos à deriva. Ninguém sabe que às vezes nessas ruas também sorriem crianças coladas ás montras, junto a estas cartões , muitos cartões no chão sujo , à noite costuma dormir lá gente embalada pelo sons da cidade e das putas que acabaram a jorna.
Todas as pessoas morrem pelo menos uma vez na vida. Ele já tinha morrido várias vezes, hoje tinha sido no fundo de um copo de tinto.
-Não quer antes um café?
Ele respondeu não com a cabeça .
Sente-se em queda livre desde que saiu de casa, mas ainda não atingiu o solo, atinge o chão todas as noites , o nível zero como lhe chamou uma vez.Que se lixe pensa ele , todas as putas também morrem todas as noites. Entra na única tasca do bairro que ainda o consente .Chama a empregada que está atenta a uma morte lenta na outra ponta do balcão. Pede um tinto. Uma criança faz bolas de sabão num dos apartamentos do prédio em frente. Sente que se dissolve no vento. Tem vontade de se deitar ali, no cantinho da ruela onde se amontoaram alguma folhas secas. Uma morte lenta.
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