segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Folha de papel

Deixo que os dedos percorram as teclas ao acaso sem nada emendar sequer os erros que surgem.
Ganham vida as teclas, autónomas, os dedos não as tocam, já.
Continuam a escrever palavras , frases, textos inteiros que não reconheço como meus. Observo-lhes os movimentos e sorrio enquanto me afasto, deixando-as naquele ziguezague.
Espreito pelo canto do olho.
Apesar do movimento incessante, o texto está em branco.
Sorrio de novo.
Há pedaços de mim que não passam nunca para a folha de papel.

1 comentário:

Anónimo disse...

Texto curto, mas que fala por 100 páginas atulhadas de caracteres. Vê-se que é sentido e pleno de significado. Um abraço e coragem!