segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

5 de Junho – Dia do meu aniversário, há uns anos atrás

Fumei o meu penúltimo  cigarro que me restava, os  últimos exigem sempre um certo silêncio e uma certa circunspecção. Sabe bem aquela calma, aquele vago tom de acalmia bucólica que pelo menos o exterior proporciona.
O meu telemóvel soou. Incómodo e invasivo, tentou subtrai-me à companhia solitária em que me encontrava . Deixei-o tocar no sítio onde estava. De uma coisa tinha a certeza: a complexidade das coisas era cada vez maior e não iria desaparecer nunca , pelo contrário. tudo se adensava , tudo se agigantava, consta que tenho cancro , soube disse há pouco , sai do hospital , terei que regressar muitas vezes a estes local .
Havia no entanto uma pergunta que não deixava o seu cérebro. A pergunta que mais frequentemente se colocava a si mesmo, aquela a que nunca conseguira dar uma resposta firme, para além de umas quantas equívocas variações, era sempre a mesma:
E agora ? e amanhã ? posso  pensar em amanhã ?
A noite permaneceu na sua grave acalmia bucólica , decidi que era tempo de colorir a minha intimidade fumando o meu último cigarro .Com interrogações dilacerantes e irresolúveis no rosto fundido na frieza opaca da noite decidi nesse momento não mais pegar num cigarro . Até hoje cumpri.

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