domingo, 14 de setembro de 2008

25 anos



Recorrendo à minha fidedigna bola de cristal, apenas cheirando os ventos e olhando os astros, antecipo a reviravolta que isto vai levar quando reagirmos e sairmos deste torpor amolecido e pegajoso que nos mantém veraneando nesta longa hibernação. Eu imagino o que vai ser quando ultrapassarmos os níveis dos demais países europeus e recuperarmos o atraso de vinte e cinco anos que a Comissão Europeia, para vergonha de muitos e descaramento de não poucos, com extrema simpatia, só haverá empresas MGE; todas as P acabaram, sem terem pago um cêntimo ao fisco em toda a sua próspera vida de prejuízos acumulados. Por seu turno, sempre cada vez mais ambiciosos, teremos as G, de grande, continuando a ter, sensatamente, as M, de média. Daqui a uns anos , no ano 2040, no dia 21 de Abril o jornal a Bola fecha por falta de saída , já ninguém ligará ao futebol, apenas vão sobrar umas linhas para os resultados da Liga do Futebol Amador (LFA), uma página para o ténis, duas para o golfe e um suplemento de quatro ou mais com anúncios de vendas de moradias de luxo, todas elas com ancoradouro para dois iates e garagem para três limusinas. Aqueles outros países, nessa altura atrasados, então de cabeça humilde e baixa a olhar a sua própria tanga, muito mais exígua e indecorosa que a que hoje nós, portugueses, usamos em dias de festa, vão sentir na carne os efeitos demolidores da nossa galopante recuperação. Haverá festa por todo o lado e, nessa noite, Porto e Gaia, unidos cada vez por mais pontes (8) de trânsito calmo e fluido, dirigido por gente educadíssima e cortês, pelas mãos dos seus presidentes de Câmara, vão lançar, do meio do rio que os une, metidos no mesmo barco , foguetes de risos aos estalinhos e gargalhadas ribombantes, pendendo suavemente dos ares até caírem nas águas cristalinas do Douro, iluminando enormes cardumes prateados . Do mercado pirotécnico de então há muito desapareceram os deprimentes foguetes de lágrimas e o fogo injustamente preso terá sido, já lá vão anos, posto em liberdade. Apenas a miudagem, que deixou de bater e insultar os professores, sempre indomável na sua irrequieta juventude, vai continuar a apanhar canas, agora feitas em PVC. O tempo voa e vinte e cinco anos passam mais depressa que uma tarde chata de domingo, sem ponta de sol.

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