segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Beira




Depois do ruído das palavras da cidade , há o silêncio que só se bebe na beira. Silêncio com sabor a rosmaninho, a vinho e a mel , silêncio de granito, duro, frio, opaco e austero. Há o silêncio canção, serrano, trovador, com batida militar de adufe, emocionante , altivo quase patriota. Depois sobra, o silêncio por aqueles que já cá não estão , por aqueles que toda as suas vidas lavravam terras da beira , nela nasceram e por ela morreram e lá descansam para sempre no silêncio . Antes de partir contava o episódio daqueles dois namorados que perguntavam incessantemente um ao outro "Em que estás a pensar?" Que inocência, crer que é possível apoderar-se do silêncio do outro outro e assim comungar do mesmo nada. Em breve o tédio vai provar que para amar são precisos dois silêncios diferentes.

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